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08/11/2010

Eu Preciso!


Preciso de um amor com a delicadeza de uma borboleta mas, com a consistência do Gore-Tex!
Que seja pegajoso como mel mas, que possua a fluidez de um rio sem medo de se lançar ao mar, sempre!
Que tenha a doçura de um morango e que traga consigo um mar salgado para navegarmos juntos.

Um amor que me consiga podar os defeitos e adubar as qualidades.
Que seja o meu petromax nas noites sem luar e o quente do sol nos dias sem fogueira no azul.
Que misture a sua sombra na minha, o seu mundo encostado ao meu, que divida o frio comigo.

Um amor que saiba pastorear os nossos sonhos e enxotar os pensamentos tristes.
Que me costure as feridas com o carinho de um alfaiate e que me regue todos os dias com a paciência de um jardineiro.
Que me faça batucar o coração e que me sacuda o sangue com a música da alegria.

Preciso de um amor que me engravide de céu e me salve nas suas asas de paz.
Um amor que me acaricie a alma e me faça cócegas no coração.
Preciso!

05/01/2010

Eclipse do amor astral


Os dois astros mais sublimes encontraram-se. Estarão apaixonados?
Através de um espetacular alinhamento planetário, deixaram-nos a todos de "papo pró ar", para observarmos o casamento sagrado em toda a sua plenitude.
O rei do dia e a dama da noite... Tão diferentes, tão iguais. Cada um mais sublime que o outro. Quem disse que os opostos não se atraem?
A lua avança para cima do sol na sua magnitude total. Desta forma, o caloroso sol, envolveu a sua fria amada com os seus raios e acariciou-a com dedos de luz, passando a haver uma luminosidade especial à volta dela. Esta não se mostrou rogada e deixou-se amaciar cheia de ardor, pelas quentes mãos da estrela central do nosso sistema planetário.
O disco solar ficou totalmente escondido através da lua, apesar da diferença de tamanhos.
Unidos confundem-se, pois são iguais. A menina da noite, tão pequenina, tornou-se tão grande perto do enorme resplendor do sol.
O grande brilho do dia cobriu e abrigou a esplêndida lua, mas foi ele que ficou parcialmente escondido. A lua começou a roer o sol e este ficou como um queijo: ratado!
É um espetáculo fabuloso!
A aparente transformação do sol em lua, tem como significado simbólico a divindade masculina e feminina.
Os mais grandiosos e magnificos astros amaram-se por momentos, como se de um presente para todos se tratasse.
Tudo isto se transformou no mais alto grau de perfeição.
Os animais e os pássaros fizeram silêncio num ambiente que ficou pesado; o vento suprou mais fresco, o dia confundiu-se com a noite e a temperatura baixou ligeiramente.
Muitos Homens ficaram a olhar o sol com a cabeça na lua, sem pensar em mais nada.
As estrelas, essas, devem de estar ainda a festejar a magnífica fortuna do astro rei, e do sublime astro da escridão.
Nós, temos que nos contentar apenas, em admirar os descarados astros a insinuarem-se mutuamente sem um pouco de privacidade, mostrando-nos mais uma vez que somos pequenos e insignificantes.
Devemos admirar o atrevimento de ambos por se amarem tão naturalmente e sem medos, mostrando as suas intimidades, mesmo que todos os olhos do mundo estejam virados para eles.
Mesmo assim, o elefante continuará de trombas de certo, e o Homem a desrespeitar a Natureza.
Contudo o sol continua a brilhar e a lua a apaixonar.

17/12/2009

Fondue


...
Hoje escrevo-te pela última vez.
Para que venhas ao meu mundo e eu te peça um perfume de jasmim, que não gosto mas sinto, em minhas mãos que não param de pensar em nós.
Fundidos como chocolate ou queijo, assim nos quero, ao lume.
Quero mergulhar em ti como se fosses o meu chocolate quente e, eu o teu morango, que não gostas mas desejas.
Para te poder abraçar na mesma dança, ao som de cafés cheios de preconceitos e pessoas cheias de cafeína.
Não tenho medo da lua porque está longe, mas ainda tenho medo do teu olhar, como uma criança receia a noite, porque continuo a confundi-lo com o meu.
Tenho medo porque me faz bem, como o sono para um bebé e, porque me preenche por dentro, como o ar para um balão de festa.
Estive longe mas continuo a precisar da tua voz para me acalmar a alma, e das tuas palavras para me acelerarem o coração.
Estou longe porque fiz escolhas e tu não!
Estarei longe, mas conheces todas as minhas coordenadas e, as portas da minha tenda estarão sempre abertas.
Tenho paragens cardíacas todas as manhãs, quando não te vejo na minha vida, e são as nossas conversas que me resuscitam por minutos.
Tenho uma chaga no coração, produzida pela distância, e joelhos vacilantes cada vez que ainda te sinto.
Mas preciso que morras logo de uma vez, para chorar tudo, porque não quero que me voltes a matar a cada partida, a cada adeus.
Continuo a necessitar de exclusividade, como o sol precisa de ser a única estrela a aquecer a terra.
Não quero um amor gourmet-pouco e caro!
Como sonhos e ilusões ao pequeno-almoço mas, ao meio-dia já estou com fome e é mais difícil sonhar com a barriga vazia...
Às vezes esqueço-me que é dia e confundo-me com a sombra.
Às vezes confundo-me com o escuro da noite e esqueço-me de dormir.
Às vezes não me reconheço e escrevo sobre mim até a tendinite me fazer parar, sempre antes que eu me conheça completamente.
Tenho fome de ti mas, preciso de fazer dieta, ordens médicas, e por isso este ano sabático vai ter que ser prolongado indeterminavelmente.
Tenho ainda mais fome de mim, preciso de me encontrar, de me perdoar...preciso de mim!
Não quero mais ter-te no horizonte, eu sei que ele existe mas nunca o consigo alcançar.
Não quero mais sentir-te, não quero mais pensar-te, não quero mais escrever-te.
Adeus meu amor, estou a chegar!

01/12/2009

Anjos Famintos


Hoje vou para o alto mar, pescar todas as estrelas do céu.
Vou devorá-las à dentada, para que brilhem todas dentro de mim.
Queres que te guarde algumas para ti?
Vou embrulhar cinco dentro de uma nuvem fofinha para que não se estraguem.
Depois sentámos-nos na lua e fazemos um piquenique no céu.
Traz uma garrafa de sede para me poderes beber completamente, e não te esqueças da toalha de espuma para não molharmos os pés.
Vou convidar alguns anjos para nos servirem este manjar dos deuses, e para te sussurrarem ao ouvido aquelas palavras que não consegues dizer-me.
Quando estiveres saciado, deitamos-nos na lua a ver o sol passar e o tempo a brilhar.
Depois, beija-me o coração devagar, como quem dança, para não o magoares.
Se me deixares, abraço-te a alma com a minha; um abraço forte, não vão os anjos querer levá-las!
...
Já estás a chegar não estás?
Já ouço o eco dos teus olhos...
Tem cuidado!
Não calques nenhuma estrela pelo caminho!
...
Chegás-te!
Estás tão bonito quanto esta mansidão de astros!
Mas...vens de branco? Porque vens vestido de espuma?
A toalha é que era de espuma...
Estás tão sublime, pareces um anjo! És um anjo?
Porque é que és um anjo? Mas os anjos não eram os convidados?
Que sorriso! Trazes sede na boca!
Porque não touxes-te água? A sede não vinha numa garrafa?
Beijas-me com sal...Mas beijaste-me os lábios...
O beijo não era no coração?
Sussurras baixinho... Dizes-me ao ouvido o que eu quero ouvir!
Porque me estás a arrepiar? Não eram os anjos que te iam falar?
Tens um olhar...Mas trazes estrelas nos olhos?
As estrelas não eram para comer?
Partes...
Espera!
Levas a minha alma contigo!
Porque é que a levas e deixas ficar a tua?
Não eram os anjos que as queriam levar?
...
Olhas para mim com estrelas nos olhos e sorris com sede na boca.
Do interior da tua roupa de espuma branca, ouve-se a tua voz que sussurra:
-Eu sou um anjo!
O meu eco responde:
-És como eu!