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06/01/2011

Obrigada Escutas!


Obrigada por me ensinarem que caminhar é mais importante que chegar;
Obrigada por me fazerem compreender que Partir não é o fim de todas as caminhadas, mas o início de outra;
Obrigada por me transmitirem a profundidade dos jogos e brincadeiras em Agrupamento, apesar da resistência que lhes ofereci;
Obrigada por me ajudarem a descobrir o verdadeiro Homem-Novo e, a nunca mais duvidar que ele existe mesmo;
Obrigada por me apoiarem no princípio, quando tudo é difícil e por acreditarem em mim sem nenhuma explicação;
Obrigada por terem partilhado chocolate, cansaço e sonhos com muitos mais trilheiros; juntos percorremos quilómetros de aprendizagem, ajudando-me a crescer e a ser adulta;
Obrigada por me ajudarem a conhecer o infinitamente pequeno e o infinitamente grande e a encontrar o caminho entre os dois;
Obrigada por se atreverem a partilhar comigo, o mistério que é a Partida;
Obrigada por me terem guiado entre caminhadas, danças e louvores nos 'Trilhos das Tribos', onde me libertei de tantos e tantos apegos;
Obrigada por me fazerem compreender que devia seguir sozinha;
Obrigada por me ensinarem a viver cada segundo como se fosse o último e a aproveitar cada instante como quem come 'o tal' morango selvagem e apetitoso;
Obrigada por me fazerem compreender que somos todos diferentes e todos iguais: o mesmo ideal escutista e a mesma vontade de viver o Escutismo e de partir;
Obrigada Alentejo, por me fazerem compreender que viver devagar é a melhor maneira de absorver cada instante da vida;
Obrigada Madeira, pelas lágrimas de alegria e de tristeza que caíram do meu rosto durante as vossas brincadeiras;
Obrigada Marítimos, por nos abrirem o horizonte até ao infinito;
Obrigada a todos os que se cruzaram nos meus trilhos e que tatuaram o meu interior para sempre;
Obrigada a todos os que trocaram emblemas e sentimentos e que sorriram para as minhas eternas fotografias...

...Graças a todos vocês, pude partir e continuar o meu trilho; fazer-me ao largo, com toda a minha entrega!

Uma Canhota Amiga
Leão Leal

17/12/2009

Fondue


...
Hoje escrevo-te pela última vez.
Para que venhas ao meu mundo e eu te peça um perfume de jasmim, que não gosto mas sinto, em minhas mãos que não param de pensar em nós.
Fundidos como chocolate ou queijo, assim nos quero, ao lume.
Quero mergulhar em ti como se fosses o meu chocolate quente e, eu o teu morango, que não gostas mas desejas.
Para te poder abraçar na mesma dança, ao som de cafés cheios de preconceitos e pessoas cheias de cafeína.
Não tenho medo da lua porque está longe, mas ainda tenho medo do teu olhar, como uma criança receia a noite, porque continuo a confundi-lo com o meu.
Tenho medo porque me faz bem, como o sono para um bebé e, porque me preenche por dentro, como o ar para um balão de festa.
Estive longe mas continuo a precisar da tua voz para me acalmar a alma, e das tuas palavras para me acelerarem o coração.
Estou longe porque fiz escolhas e tu não!
Estarei longe, mas conheces todas as minhas coordenadas e, as portas da minha tenda estarão sempre abertas.
Tenho paragens cardíacas todas as manhãs, quando não te vejo na minha vida, e são as nossas conversas que me resuscitam por minutos.
Tenho uma chaga no coração, produzida pela distância, e joelhos vacilantes cada vez que ainda te sinto.
Mas preciso que morras logo de uma vez, para chorar tudo, porque não quero que me voltes a matar a cada partida, a cada adeus.
Continuo a necessitar de exclusividade, como o sol precisa de ser a única estrela a aquecer a terra.
Não quero um amor gourmet-pouco e caro!
Como sonhos e ilusões ao pequeno-almoço mas, ao meio-dia já estou com fome e é mais difícil sonhar com a barriga vazia...
Às vezes esqueço-me que é dia e confundo-me com a sombra.
Às vezes confundo-me com o escuro da noite e esqueço-me de dormir.
Às vezes não me reconheço e escrevo sobre mim até a tendinite me fazer parar, sempre antes que eu me conheça completamente.
Tenho fome de ti mas, preciso de fazer dieta, ordens médicas, e por isso este ano sabático vai ter que ser prolongado indeterminavelmente.
Tenho ainda mais fome de mim, preciso de me encontrar, de me perdoar...preciso de mim!
Não quero mais ter-te no horizonte, eu sei que ele existe mas nunca o consigo alcançar.
Não quero mais sentir-te, não quero mais pensar-te, não quero mais escrever-te.
Adeus meu amor, estou a chegar!