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09/12/2009

Quem? Ninguém!



Quem me vai abraçar, quando eu estiver sozinha?
E quem me vai contar uma história para eu adormecer?
Quem?
Não és tu!
Quem me vai beijar, quando eu tiver dores na alma?
E quem me vai levar ao circo para eu me rir com os palhaços?

Quem me vai limpar as lágrimas, quando eu chorar, chorar, chorar...?
E quem me vai aconchegar a roupa para eu não ter frio?
Quem?
Não és tu!
Quem me vai encher o coração, quando eu estiver triste?
E quem me vai chamar, para eu acordar para a vida?

Quem?
Não és tu!
Mas sempre e outra vez, ninguém!

06/12/2009

Quando escrevo...


Posso vestir-me com a roupa que quiser, ser mulher ou ser criança, ser herói ou não ter esperança.
Posso tirar do nada uma estrela apagada e, espremê-la na mão, deixá-la cair no chão.
Posso ser um choupo no Outono e ganhar flores, ter todas as cores mesmo sem conhecer nenhuma, tomar banho sem fazer espuma.
Posso apanhar de dentro da noite dois sóis, entre lençóis, que não queimam nem envelhecem.
Posso atirá-los ao mar e deixá-los borbulhar em ondas redondas, desarrumar o mundo, ter azeite no fundo.
Posso ser uma castanha a saltar no braseiro, abraçar sozinha o mundo inteiro, deixá-lo voar e torná-lo a caçar.
Posso sentir por atalhos, pousar em todos os galhos, como as aves sem abrigo, sem chaves e sem amigo.
Posso ser pirata, escrever com lápis de lata, fazer magia com potes de alegria, ser astronauta e só ter luas na pauta.
Posso comprar o anel de Saturno, brincar em qualquer turno, pegar no mundo ao colo até ele dormir, abrir os braços e fugir.
Posso ser borboleta nocturna, que não morre mesmo que durma, ou um morcego de alma fria e viver só de dia.
Posso ser rio que se lança ao mar sem nunca se afogar, passear pelo paraíso, perder todo o juízo.
Posso escangalhar a história na minha memória, e esvaziar vontades, meter glória, tirar saudades.
Posso passar a ferro personalidades encorrilhadas, estender almas molhadas, acampar em Marte, mas nunca deixar de amar-Te!

01/12/2009

Anjos Famintos


Hoje vou para o alto mar, pescar todas as estrelas do céu.
Vou devorá-las à dentada, para que brilhem todas dentro de mim.
Queres que te guarde algumas para ti?
Vou embrulhar cinco dentro de uma nuvem fofinha para que não se estraguem.
Depois sentámos-nos na lua e fazemos um piquenique no céu.
Traz uma garrafa de sede para me poderes beber completamente, e não te esqueças da toalha de espuma para não molharmos os pés.
Vou convidar alguns anjos para nos servirem este manjar dos deuses, e para te sussurrarem ao ouvido aquelas palavras que não consegues dizer-me.
Quando estiveres saciado, deitamos-nos na lua a ver o sol passar e o tempo a brilhar.
Depois, beija-me o coração devagar, como quem dança, para não o magoares.
Se me deixares, abraço-te a alma com a minha; um abraço forte, não vão os anjos querer levá-las!
...
Já estás a chegar não estás?
Já ouço o eco dos teus olhos...
Tem cuidado!
Não calques nenhuma estrela pelo caminho!
...
Chegás-te!
Estás tão bonito quanto esta mansidão de astros!
Mas...vens de branco? Porque vens vestido de espuma?
A toalha é que era de espuma...
Estás tão sublime, pareces um anjo! És um anjo?
Porque é que és um anjo? Mas os anjos não eram os convidados?
Que sorriso! Trazes sede na boca!
Porque não touxes-te água? A sede não vinha numa garrafa?
Beijas-me com sal...Mas beijaste-me os lábios...
O beijo não era no coração?
Sussurras baixinho... Dizes-me ao ouvido o que eu quero ouvir!
Porque me estás a arrepiar? Não eram os anjos que te iam falar?
Tens um olhar...Mas trazes estrelas nos olhos?
As estrelas não eram para comer?
Partes...
Espera!
Levas a minha alma contigo!
Porque é que a levas e deixas ficar a tua?
Não eram os anjos que as queriam levar?
...
Olhas para mim com estrelas nos olhos e sorris com sede na boca.
Do interior da tua roupa de espuma branca, ouve-se a tua voz que sussurra:
-Eu sou um anjo!
O meu eco responde:
-És como eu!